quarta-feira, 6 de novembro de 2013

DOIS É BOM - IV ENIMPRO - San José, Costa Rica, 2012

O espetáculo DOIS É BOM fez parte do IV ENIMPRO - Encuentro Internacional de Improvisación em 2012, na cidade de San José, capital da Costa Rica.

Um dos mais simpáticos festivais de improvisação em língua espanhola, foi criado pelo grupo Impromptu, de Javier Monge, Andrey Ramirez e Rolando Salas, com o auxílio da Liga Tica de Improvisación, no Teatro Giratablas.

Além do Teatro do Nada, participaram dessa edição do festival o grupo Complot/Escena, do México, com o espetáculo HUMOR MIERDA; Omar Argentino Improtour, estreando seu novo espetáculo solo BLANK, além de dirigir uma oficina-espetáculo baseado no Soundpainting, formato que junta improvisadores, músicos, dançarinos, desenhistas, todos improvisando sob a direção de um maestro através de uma linguagem própria de sinais; e o próprio Impromptu, organizador do festival, com VIDAS. Também aconteceram debates e espetáculos que juntavam os participantes em times mistos, como o IMPRO EM LA CALLE e o formato competitivo IMPROBOX INTERNACIONAL.

A seguir, a apresentação completa de DOIS É BOM no festival:

Parte 1: http://www.youtube.com/watch?v=GwZzIYBU118
Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=y9sxTnnOovs
Parte 3: http://www.youtube.com/watch?v=_K4ZQrqv4m4
Parte 4: http://www.youtube.com/watch?v=JMQ6hxKRPVo
Final: http://www.youtube.com/watch?v=ur7yAZJd7_o

Cenas do IMPROBOX INTERNACIONAL, com times misturando improvisadores do Brasil, México e Costa Rica.

http://www.youtube.com/watch?v=tVS-gApms1E
http://www.youtube.com/watch?v=99t73n9UI7s
http://www.youtube.com/watch?v=MOYbpm1Khbk



quinta-feira, 18 de abril de 2013

Dois É Bom - Nova Friburgo - Única Apresentação

DOIS É BOM fez uma apresentação única no Teatro Municipal de Nova Friburgo no dia 12/abril de 2013. Com o apoio e a produção da Cia Arteira, o espetáculo foi criado, desta vez, a partir da palavra TOMATE. Também rolou Oficina de Improvisação com Claudio Amado nos dias 13 e 14/ abril na Oficina Escola das Artes.



Confira a apresentação na íntegra clicando no link:
http://www.youtube.com/watch?v=S-HW6UNUAZI&list=UUMwqFOjBJiXmYR62sh1zj5g&index=1

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Diário de Histórias - Temporada: Julho e Agosto 2010 / Sede da Cia dos Atores

DIA 07/JULHO (ESTRÉIA)
Sugestão inicial: ARROZ
Temas: Batata frita / França / Mamona / Chorar / Leblon / Ricota / Cone

HISTORIA 1 : Um francês (Pierre) e uma brasileira (Irene), recém-casados, num hotel no Leblon, de frente pro mar. Ela, virgem, troca a camisola que ele deu e aparece com lingerie mínima e provocante. Ele então revela pra ela que aquilo é um casamento de fachada, que ele precisa de uma esposa para ser melhor respeitado no trabalho, na França. Irene então diz que está tudo acabado e sai pra praia, ele fica e pede cone com french fries pelo serviço de quarto.

HISTORIA 2 : Uma mulher rica (Bárbara), que mora num castelo e abriga um primo (Jorge) de favor, resolve expulsa-lo pois ele molha a tampa do vaso. Quando ela traz as malas dele, ele tira um presente pra ela, um alimentador de beija-flor. Ela fica sem graça e resolve deixar ele ficar, mas com um banheiro químico só pra ele.

HISTORIA 3 : Aniversário de 8 anos de Bento, ele está sozinho com a animadora infantil Ismália. Ele, mimado e mau educado, manda que ela faça pole dance pra ele. Ela, contrariada, faz e depois entrega algo para ele. É um bilhete da sua mãe dizendo que Ismália é sua irmã mais velha que ela entregou quando nasceu e havia reencontrado. Ele gosta de ter uma irmã e vai pegar comida pra ela.

HISTORIA 4 : Bento , adulto e dono da boate em Copacabana Bento’s, entrevista Bárbara, agora pobre e candidata a dançarina de pole dance. Ela diz que só sabe dançar valsa, ele insiste no pole dance até ela mostrar que tem mãos macias e sugerir trabalhar no Glory Hole (Irina Palm). Ele aceita mas pede pra experimentar primeiro. Ela aceita e eles terminam dançando valsa.








DIA 14/07/2010
Sugestão Inicial: TOLERÂNCIA
Temas: Luxúria, virtudes, cupom, dupla musical, senhora, preconceito, quadrilha, lego, dente, doces, caldo

HISTORIA 1: Uma dupla caipira, Léo e Lílian, após um show, começam a discutir sobre a divisão do trabalho e acabam se separando. Passagem de tempo. Anos depois, Léo, agora cantor de sucesso, vai visitar Lílian na sua casa caindo aos pedaços, levando um cheque pela parte dela nos direitos autorais e, com pena dela, a chama para ser backing vocal.

HISTORIA 2: Igor, preso político em greve de fome há 253 dias, divide cela com Marisa. Marisa descobre que Igor come escondido doces e chocolates e ameaça contar tudo. Igor implora que não, pois assim os companheiros não serão soltos. Marisa então revela que ela é uma serial killer e o que ela mais odeia é mentira, e acaba matando Igor.

HISTORIA 3: Um vendedor de caldos e doces, Joaquim, encontra Teresa na rua e lhe passa escondido um cupom de um clube de swing. Ela já foi uma vez só para assistir. Ele oferece uma cocada, ela come, sente-se estranha e desmaia. Quando acorda, eles estão no clube de swing e ele diz que ela agora tem que participar, pois outros agora estão olhando, e ela aceita.

HISTORIA 4: Joaquim, do clube de swing, contrata Lílian para cantar no clube. Joaquim diz que a decoração da casa foi inspirada no caso da Viúva Negra, serial killer que matou seu companheiro de cela. Termina com Lílian cantando a mesma música da 1ª historia, “Quadrante do Amor”, seu maior sucesso com Léo.








DIA 04/agosto/2010
Sugestão: CHOCOLATE
Temas: Prédio, conto-de-fadas, ovo, derrame, ouro, feijão, mosquito, gato, persa

HISTORIA 1 : Rei e princesa, ele traz um ovo de ouro como presente de casamento de um pretendente mas ela rejeita pois não quer casar-se por convenções políticas e sim por amor. O Rei diz que é impossível e sai dizendo que ela tem que se conformar. Sozinha, ela vai até o ovo que magicamente se quebra e sai um pássaro dourado

HISTORIA 2: Uma operária de uma fábrica de chocolate na linha de montagem de bombons com mensagens dentro, recebe a cantada de outro funcionário mas não gosta pois ele é pouco poético e romântico. Ela revela que é ela que escreve as mensagens dos bombons e descarta ele pois ele não sabe falar bonito.

HISTORIA 3: Rapaz sozinho perdido na floresta tenta acender uma fogueira. Som de helicóptero e chega uma mulher do resgate. Ele fica aliviado e ela senta com ele pois ainda tem que esperar o helicóptero voltar. Ele começa a falar da mãe e a mulher lhe diz que esteve com ela. Ele pergunta se está tudo bem com ela, pois ela já teve um derrame, e a mulher lhe diz que sua mãe não resistiu á tensão. Ele sai levando um pezinho de feijão para lembrar dela.

HISTORIA 4: Rapaz, já crescido, casou com a operária e tem um restaurante onde tenta emplacar mais uma receita de feijão. O casamento não anda muito bem e ele dá um livro de contos de fada chamado A Princesa Rebelde para ela. Ela revela que continua encontrando seu ex-namorado, o operário que aprendeu a falar poesia, e vai embora. Ele fica sozinho e têm uma idéia de fazer um prato novo de ovo com chocolate




DIA 11/agosto/2010
Sugestão: MEDO
Sugestões: algodão, jardim, cabra, loucura, trem, fantasia, formatura, bolha de sabão, louca, tinta
HISTORIA 1 : Seu Alberto, coroa, e sua assistente Irene, ganham a vida fazendo números com bolhas de sabão na plataforma do trem. Eles já não estão conseguindo mais sobreviver de esmolas e Alberto diz que Irene pode seguir seu caminho, não precisa ficar amarrada á ele. Irene lembra que os dois saíram juntos do hospício, Alberto se lembra da camisa de força, então ela faz um novo número que dá certo, as pessoas jogam moedas. Eles continuam juntos.

HISTORIA 2: Jurema está tirando leite de sua cabra em sua fazenda quando chega Chico, seu amigo que acabou de se formar em Veterinária. Chico prova o leite da cabra, Tetê, e diz que ela está doente e vai morrer. Jurema fica injuriada e diz que vai fazer uma oração pra Nossa Senhora das Causas Perdidas e manda Chico embora. Ele vai dizendo que vai voltar uma semana depois. PASSAGEM DE TEMPO. Chico volta uma semana depois e prova um leite que Jurema lhe oferece. Ele fica espantado com a doçura do leite e Jurema explica que é o leite da cabra, que sobreviveu pela oração de Jurema. Ele fica sem conseguir explicar e Jurema o manda embora com seu diploma de veterinário.

HISTORIA 3: Um paranóico, Napoleão, espera sozinho numa sala pelo começo de uma reunião dos Neuróticos e Paranóicos Anônimos. Chega uma mulher com roupa de carnaval, cantando e dançando. Ela diz que todos os participantes estão num bloco só de grupos de apoio e chama ele pra participar. Ele diz que não consegue pois tem medo de tudo, de sair na rua e acontecer alguma coisa. Ela lembra da música do pierrot e da colombina e ele se apaixona por ela, aceitando o convite para ir pro bloco.

HISTORIA 4: Seu Alberto, mais velho, no leito do hospital, já não têm forças para soprar bolhas de sabão. Irene aparece e eles conversam sobre como estão as coisas agora, ela tem um trabalho normal. Ele diz pra ela que o mais importante na vida é não ter medo, pois a vida é como as bolhas de sabão. Ele morre dando á ela o potinho de sabão e ela reclama: “Isso é herança que se deixe?”





DIA 18/Agosto de 2010
Sugestão: DESEJO
Temas: Facebook, profissão familiar, esporte, casamento longo, fidelidade,

HISTORIA 1: Francisco/ Gardênia
Mãe e filho, ele assume seu casamento gay, namorado na rua, Pedro Garcia, espanhol basco, que espera por ele na rua, no Engenho Novo. O pai está no quarto e não quer ver o filho gay, Ele, um pintor reconhecido e bem sucedido, foi lá contar que se casou na Espanha com Pedro. Ele debocha da casa e da ignorância da mãe.

HISTORIA 2: Irene/
Casal velho, geladeira, aniversario de casamento de 42 anos.
Ela frustrada por não ter nenhuma comemoração, só uma pizza que está para chegar. Eles moram num quarto e sala sem espaço pra nada, com fogão e geladeira no quarto. Ela desabafa sobre sua aquele casamento e sobre ele, que está infeliz e ele assume parte da culpa. Toca a campainha, ela pensa que é a pizza, mas ele vai abrir e é o porteiro trazendo uma surpresa: uma geladeira. Ela fica feliz , ele revela qua tbém vai comprar o apto do lado e tela terá uma cozinha só pra ela poder cozinhar como sempre sonhou e eles terminam indo namorar, depois de muito tempo.

HISTORIA 3: Pat/ Denílson
Namorados, ela vagaba e ele sadomaso
Ele está no computador e ela dorme. Ele vê algo no Face book e fica chocado. Ela acorda reclamando que ele não sai do computador e ele pergunta pra ela o que significa isso: fotos dela bêbada em festas . Ela assume que bebe mesmo e dá vexame. Ele fica muito incomodado e ela então revela que descobriu coisas na gaveta dele. Ela tira um chicote da gaveta e ele então abre outra gaveta, gigantesca, com vários apetrechos sado-masô. Ela dá umas chicotadas nele, que delira de prazer, porém ela não gosta e vai embora.
HISTORIA 4: Francisco/ Pat
Ela posando, ele pintando deprimido pois foi abandonado pelo namorado Pedro, que o trocou pelo filho do vendedor de bananas do Engenho Novo, que Pedro conheceu no dia que foi com Francisco na casa dos pais dele.




DIA 25/Agosto de 2010:
Sugestão: BATATA
Temas: Bisavô, má, igreja, vela, Nélson Rodrigues, espelho, pecado, binóculo
HISTORIA 1: Glória/Padre Arlindo
Glória se confessa com Padre Arlindo na sacristia. Ele adverte que ela tem muitos pecados a expiar, por causa do que faz com seu marido, Macedo. O Padre deixa escapar que admira muito Macedo e que ele não merece isso. Glória revela que, numa missa passada dele, percebeu que ele estava excitado debaixo da batina. O padre então revela que ele e Macedo foram amigos íntimos no seminário e que Macedo abandonou a religião chamando Arlindo de hipócrita, que seguiu o caminho do sacerdócio, e que estava excitado pela presença dele, e termina aos pés dela assumindo seu amor por Macedo.
HISTORIA 2: Igor/Helena
Dois estudantes de biologia chegam na Patagônia para verem os pingüins de binóculos. Helena está radiante e confiante de estar ali, e Igor não, querendo sair logo dali. Depois de comerem um sanduíche que ele preparou com todo cuidado, ela pergunta se eles não irão pro iglu. Igor não entende e Helena diz então que eles irão transar. Ele fica sem graça e surpreso no início, depois explica que foi criado pela avó e não sabe flertar, pois ela ensinou que era pecado “Não falar sério com as mulheres”. Ele se beijam canhestramente e ela entende que ele é virgem. Ela vai pro iglu na frente e ele fala com um espelhinho para ganhar coragem.PASSAGEM DE TEMPO. 1 hora depois, ele ainda está ali e ela vêm chama-lo. PASSAGEM DE TEMPO. Depois da transa, ela diz que até que não foi mal, ele propõe fazer de novo.
HISTORIA 3: Creuza/ Bisavô
Um idoso muito velho é cuidado pela sua bisneta, Creuza. Ela, má e amargurada, fala francamente pra ele que espera que ele morra logo, pois está demorando muito, 10 anos desde que ela veio cuidar dele. Ele debocha dizendo que vai durar muito, deixando ela mais cruel. Ele diz que emsmo cruel, ela pelo menos não bate nele, como a última empregada fazia. Toca o telefone, ela atende e responde à alguém da família que ele ainda está vivo. Ele reclama que todos na família só querem saber do dinheiro dele, por isso que ele cortou contato com todos, menos ela. PASSAGEM DE TEMPO. Creuza assina com um advogado para receber a herança que seu bisavô deixou, como única herdeira. Depois, entrega uma caixa para ele, e a deixa só. Ela lê o agradecimento dele, que lhe fez compania nos últimos anos, mesmo sendo má.Ela assume para o advogado que envenenou o bisavô aos poucos no último ano de vida, e o advogado mostra-se cúmplice.
HISTORIA 4: Macedo/Creuza
Macedo, marido de Glória, está na igreja sozinho agradecendo que ela está muito melhor no casamento. Creuza entra e senta ao lado dele. Ao rezar, ela fala que se arrepende do dinheiro e de ter matado seu bisavô. Ele escuta, fica assustado etira uma foto dela no celular, sem ela ver. Ela se abre com ele e diz que está com muita culpa. Ele sugere que ela viaje, vá para longe do apartamento herdado, e revela ser agente de viagem e oferece um pacote para a Patagônia. Ela diz que só se for naquele dia mesmo, ele pergunta se ela tem dinheiro vivo, ela dá um maço de notas pra ela, ele pede pra ela ir na frente, ela fala com Deus que está precisando de dinheiro, que ia mandar a foto para a polícia mas agora não vai mais, ela pergunta ao longe se rolar ele diz: Claro que vai! Batata!

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Crítica de Pedro Borges (A Barraca/Portugal)

Pedro Borges, além de ser ator da cia portuguesa A BARRACA, é improvisador e faz Long Form em Lisboa com o espetáculo IMPROVISOS. A seguir, sua análise do espetáculo do dia 21 de julho de 2010, na Sede da Cia dos Atores

"Pois lá fui hoje ver os nossos colegas brasileiros ao espectáculo "Dois é bom". É o primeiro long-form no Rio de Janeiro que já vai fazendo algum sucesso. Actuam às quartas-feiras e a casa estava cheia (60 lugares).
São só dois actores, um ele e uma ela. Ah, e um teclista com um keyboard.

Em palco estão duas cadeiras, o músico e um grande quadro negro que é usado para escrever com giz. Eles pedem uma palavra ao público. Foi dada a palavra tangerina. Enquanto um escreve a palavra no quadro, o outro vai fazendo um monólogo para o público, dizendo o que é que essa palavra lhe faz lembrar e conta uma história. A dada altura o outro faz um tag e, a propósito de alguma palavra ou tema do monólogo, começa um novo monólogo sobre o novo tema enquanto o outro adiciona novas palavras/temas ao quadro. Isto dura cerca de 10 minutos e o quadro fica com várias (10/12) palavras escritas. Vão ser a "gasolina" para o harold.

Depois fazem cenas. Poucas e longas. Vi 4 cenas, cada uma com cerca de 10 minutos. As primeiras três eram independentes e a 4ª cena ia buscar elementos à primeira cena. Não faziam edits bruscos. As cenas tinham início e fim e não eram interrompidas. No final os actores sentam-se nas cadeiras, olham para o quadro, bebem água e depois começam a cena seguinte. Um actor faz a iniciação, com alguma personagem, e o outro levanta-se da cadeira e dá a contra-cena.

O rapaz do som intervem discretamente, o que é bom. Consegue fazer muita coisa boa com aquele keyboard: trovões, chuva, tambores, etc. giro. Usam cerca de 12 projectores e o operador de luz faz alguns efeitos básicos, que ajudam as cenas.

O que gostei mais no espectáculo deles foi a qualidade das cenas a dois e emoção na relação entre personagens, bem aprofundadas. O harold não tinha praticamente enredo, portanto tudo se focava na relação e na vida que se criava dentro das personagens.

1ª cena - Avô e neta. Ele fez um idoso muito bem feito, e conseguiu tocar-nos com a sua sensibilidade.
2ª cena - Rapariga e rapaz num buggy. Ele queria alguma coisa com ela, mas ela nem por isso. Tiveram a inteligência de deixar que a conversa e as circunstâncias os levassem a que no final houvesse romance. Mas de uma forma fluída, que podia mesmo acontecer na realidade. Não foi forçado.
3ª cena - Mulher suicida e faxineiro no topo de um edifício. Cena muito bonita, a explorar sensibilidades e emoções. No fim ela desiste do suicídio e ele, quando fica a sós, brilhantemente, solta umas asas das suas costas e voa, assumindo-se como um anjo!
4ª cena - a neta vai ao espirita para tentar falar com o avô, para lhe pedir desculpas. De novo uma cena que teve tanto de cómica como de bonita.

O que mais me interessou foi ver o lado sensível e bonito das personagens, que se consegue com alguma calma (e tempo!). Todas as cenas foram bonitas, divertidas e emocionantes. E jogaram simples, para a a beleza. Não se desdobraram em personagens múltiplas, nem fizeram passagens de tempo, ou saltos dentro das cenas. Jogam seguro e com qualidade. O improv long-form no Rio de Janeiro está muito bem entregue!"

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Crítica de Lionel Fischer p/ DOIS É BOM

Teatro/CRÍTICA

"Dois é bom"

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Improviso em cena na Lapa


Lionel Fischer


Sempre fui e sempre serei apaixonado por Improvisação. E são tantas as razões desta paixão que, caso resolvesse enumerá-las todas aqui, fugiria por completo ao presente objetivo, que é o de fazer a crítica do espetáculo "Dois é bom". Seja como for, não custa nada mencionar que fui aluno de improvisação de Maria Clara Machado, no Tablado, durante seis anos (dos 15 aos 21 anos), dei um curso na Funarte sobre o tema, em 2006, ("Improvisação teatral: você sabe realmente o que é isso?") e, de 15 anos para cá, voltei a dar aulas de improvisação no Tablado.

Isto posto, vamos ao que de fato importa. "Dois é bom", em cartaz na Sede da Cia. dos Atores, é uma montagem que acontece de forma sempre improvisada, tendo como mola propulsora uma palavra dita por alguém na platéia - ou seja: ninguém jamais assistirá ao mesmo espetáculo. Na sessão de ontem, a palavra escolhida por um espectador foi "arroz". Então, os atores Ana Paula Novellino e Claudio Amado começaram a improvisar.

Mas, ao contrário do que ocorre normalmente, aqui a palavra "arroz" serve apenas para criar um contexto inicial, que vai sendo desenvolvido e modificado à medida que a improvisação avança, sendo criadas novas situações e, obviamente, novos personagens. Embora não seja uma proposta inédita, ela apresenta muitos desafios, já que não se trata de uma improvisação curta, como normalmente acontece, mas de uma narrativa que dura 60 minutos.

Autores do projeto, Ana Paula Novellino e Claudio Amado (acompanhados pelo músico Tayo Omura) exibem imaginação, humor e bom entrosamento, explorando de forma eficiente os impulsos momentâneos que levam à criação de cenas e personagens. Como única ressalva, mencionaria uma certa lentidão no ritmo do espetáculo, que poderia - e deveria - apresentar maiores variações neste particular, mesmo levando-se em conta que tudo está sendo criado no momento. Seja como for, trata-se de uma montagem corajosa e que, imagino, poderá ganhar maior agilidade com o correr da temporada.